Da sacada observa-se um verão diferente. Fugimos do calor de
felicidade extrema. Uma tristeza incômoda e lembranças esmagadoras. O que sente
agora? O vento que hoje bate em seu rosto, esfria sua expressão. Congela!
Congela! Congela!
Verão de 2010. Brasil. Fim de turma. Encerrando um ciclo e
começando outro. Transferência de informações e também de identidades e
personagens. Uma forma diferente de conviver, viver e sobreviver.
Autoconhecimento e descoberta. Das doçuras aos amargos. Dos doces às amarguras.
E dos extremos, os momentos. E que momentos...
Ela, obrigada a deixar o amor para seguir em frente, sente.
Sente a dor da saudade. Sente a dor da despedida. Sente a dor do amor.
Eu, convidado a conhecer o amor, sinto. Sinto a alegria da
saudade. Sinto a alegria do reencontro. Sinto a alegria de amar.
Os momentos serão sempre extremistas e os extremistas nunca,
jamais se atentaram aos momentos. Falha! Julga-se tão importante o amor que ao
amar falta-lhe o próprio amor. Particularmente ressalto que, com o tempo as
extremidades foram solidificadas.
O vento passa e seca cada lagrima que dela, se despede. O
tempo cura cada ferida que nela, se abriu. A tortura ensina a ela, a sobreviver
para continuar vivendo.
O vento passa e trás a ele o perfume. O tempo passa e deixa
nele, cada marca. O convívio ensina a ele que, amar é sobreviver ao
egocentrismo.
O tempo passa. Passa o tempo.
Prefiro dizer que, nós vivemos. Nós nos divertimos. Quando
era diversão, sofremos. E do sofrimento tentamos rir. Costumo é claro. Conviva
para sobreviver e então viver. Convivemos. Sobrevivemos e então agora, vamos
viver.
Ela reluta com o esquecimento. O tempo lhe responde que a
batalha é perdida. O tempo trouxe a ela, o esquecimento. E agora então? Quer
lembrar de tudo? Quer lembrar inclusive, de todos? Ela é claro, continua
chorando. As lagrimas em conjunto dos olhos e dos olhares dizem que o
sofrimento de não amar é mais cruel do que o amor propriamente dito.
Eu reluto com as lembranças. O tempo me responde que a
batalha é perdida. O tempo trará a mim, o esquecimento. E agora então? Quero
eu, esquecer de tudo? Quero eu, inclusive esquecer de todos? Eu é claro,
continuo chorando. As lagrimas em conjunto dos olhos e dos olhares dizem que o
sofrimento de amar ainda é mais cruel do que o esquecimento propriamente dito.
Das mentiras, surgem as verdade. Das verdades, surgem as
surpresas. Quem nos diria? Quem é que nos poderia avisar? Estamos juntos, dos
extremos, somos extremistas e não, não nos atentamos aos momentos. Sobrevivemos
a cada momento, esquecendo-nos de vive-los.
Sentindo o frio congelar nossas expressões, esfriar minhas lembranças e apagar as chamas da procura dela, nós talvez voltemos a viver. Por hora, ainda temos de sobreviver. Sobreviver a dor de amar e sobreviver a dor de não mais amar. Irônica! A moral é imposta em tudo, em todos e mais algumas coisas. O tempo todo ela e eu, deveríamos ter amado mais, ter nos divertido mais e ter vivido mais. Amar não aos outros e nem aos olhos e olhares dos outros. Mas amar a que nunca deveríamos ter esquecido.
Estamos aqui, com quem deveríamos estar e com quem
precisamos estar. Sentados em uma sacada fria, alta e solitária. Nossos amores
e desamores não nos acompanharam. Nossos sofrimentos e alegrias marcaram mas
logo, serão esquecidos. Nossos amantes e amados, amaram, machucaram e agora, se
despediram. A triste verdade é que, juntos nós estamos e juntos continuaremos.
Não eu dela, e nem ela de mim. Juntos, eu e eu. Juntos, ela e ela.
Amar-te. Amar-te. Amar-te. Amar é uma arte. A arte do
desapego. A arte do apego. A arte dos opostos. A arte dos idênticos. Amar-te.
Amar-te. Amar-te.
Verão de 2012. Europa. Encerrando um ciclo e começando
outro. Transferência de informações e também de identidades e personagens. Uma
tristeza inata. O suportável convívio consigo mesmo. O que sente agora? O vento
que hoje bate em seu gosto, esfria. Esfria o coração. Aquieta a alma. O seu
coração. A sua alma. Um coração. Uma alma. A sua. A minha. A dela. Agora vivo.
Ela vive.
Vivemos juntos. Juntos, de nós mesmos.
Por Caique Bittencourt
Por Caique Bittencourt
