Boa noite e durma bem, disse-me ele. Talvez não lhe convenha
que a mim mesmo, não deixo adormecer.Metade do que eu sou prossegue em paz,
mas convive em batalha com outra metade, que prossegue em guerra. Sinto cada
palavra escrita passar pelas veias e como sangue, jorrar pelos papéis secos,
vazios e sem vida. Não é convincente? Siga-me como uma sombra, seja minha
amiga. Sente-se, fique. Ingrato sempre fui por só agora reconhecer-te,
tristeza. Ironicamente venho agora pedir-lhe que seque-me.Seque-me.
Angustiante, entediante e torturante.Dor involuntária.Endureceu meu coração,
tristeza amiga? Devo chamar-lhe de tristeza? Não me provocas risos. Não faz com
que caiam lágrimas. Mas diga-me amiga, eres tu a metade guerrilheira? Metades,
arrisquem-se. Arrisquem-me. Saciem a vontade. Aquietem as dúvidas. Peço-lhe querida amiga. Imploro para que faça
do futuro, passado. E das lembranças, esquecimentos. Peço-lhe querida amiga,
imploro. E que conviver comigo seja ao menos suportável.
Por Caique Bitencourt
