quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012



Boa noite e durma bem, disse-me ele. Talvez não lhe convenha que a mim mesmo, não deixo adormecer.Metade do que eu sou prossegue em paz, mas convive em batalha com outra metade, que prossegue em guerra. Sinto cada palavra escrita passar pelas veias e como sangue, jorrar pelos papéis secos, vazios e sem vida. Não é convincente? Siga-me como uma sombra, seja minha amiga. Sente-se, fique. Ingrato sempre fui por só agora reconhecer-te, tristeza. Ironicamente venho agora pedir-lhe que seque-me.Seque-me. Angustiante, entediante e torturante.Dor involuntária.Endureceu meu coração, tristeza amiga? Devo chamar-lhe de tristeza? Não me provocas risos. Não faz com que caiam lágrimas. Mas diga-me amiga, eres tu a metade guerrilheira? Metades, arrisquem-se. Arrisquem-me. Saciem a vontade. Aquietem as dúvidas.  Peço-lhe querida amiga. Imploro para que faça do futuro, passado. E das lembranças, esquecimentos. Peço-lhe querida amiga, imploro. E que conviver comigo seja ao menos suportável.


Por Caique Bitencourt

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012



Da sacada observa-se um verão diferente. Fugimos do calor de felicidade extrema. Uma tristeza incômoda e lembranças esmagadoras. O que sente agora? O vento que hoje bate em seu rosto, esfria sua expressão. Congela! Congela! Congela!

Verão de 2010. Brasil. Fim de turma. Encerrando um ciclo e começando outro. Transferência de informações e também de identidades e personagens. Uma forma diferente de conviver, viver e sobreviver. Autoconhecimento e descoberta. Das doçuras aos amargos. Dos doces às amarguras. E dos extremos, os momentos. E que momentos...

Ela, obrigada a deixar o amor para seguir em frente, sente. Sente a dor da saudade. Sente a dor da despedida. Sente a dor do amor.
Eu, convidado a conhecer o amor, sinto. Sinto a alegria da saudade. Sinto a alegria do reencontro. Sinto a alegria de amar.

Os momentos serão sempre extremistas e os extremistas nunca, jamais se atentaram aos momentos. Falha! Julga-se tão importante o amor que ao amar falta-lhe o próprio amor. Particularmente ressalto que, com o tempo as extremidades foram solidificadas.

O vento passa e seca cada lagrima que dela, se despede. O tempo cura cada ferida que nela, se abriu. A tortura ensina a ela, a sobreviver para continuar vivendo.
O vento passa e trás a ele o perfume. O tempo passa e deixa nele, cada marca. O convívio ensina a ele que, amar é sobreviver ao egocentrismo.

O tempo passa. Passa o tempo.

Prefiro dizer que, nós vivemos. Nós nos divertimos. Quando era diversão, sofremos. E do sofrimento tentamos rir. Costumo é claro. Conviva para sobreviver e então viver. Convivemos. Sobrevivemos e então agora, vamos viver.

Ela reluta com o esquecimento. O tempo lhe responde que a batalha é perdida. O tempo trouxe a ela, o esquecimento. E agora então? Quer lembrar de tudo? Quer lembrar inclusive, de todos? Ela é claro, continua chorando. As lagrimas em conjunto dos olhos e dos olhares dizem que o sofrimento de não amar é mais cruel do que o amor propriamente dito.
Eu reluto com as lembranças. O tempo me responde que a batalha é perdida. O tempo trará a mim, o esquecimento. E agora então? Quero eu, esquecer de tudo? Quero eu, inclusive esquecer de todos? Eu é claro, continuo chorando. As lagrimas em conjunto dos olhos e dos olhares dizem que o sofrimento de amar ainda é mais cruel do que o esquecimento propriamente dito.

Das mentiras, surgem as verdade. Das verdades, surgem as surpresas. Quem nos diria? Quem é que nos poderia avisar? Estamos juntos, dos extremos, somos extremistas e não, não nos atentamos aos momentos. Sobrevivemos a cada momento, esquecendo-nos de vive-los. 

Sentindo o frio congelar nossas expressões, esfriar minhas lembranças e apagar as chamas da procura dela, nós talvez voltemos a viver. Por hora, ainda temos de sobreviver. Sobreviver a dor de amar e sobreviver a dor de não mais amar. Irônica! A moral é imposta em tudo, em todos e mais algumas coisas. O tempo todo ela e eu, deveríamos ter amado mais, ter nos divertido mais e ter vivido mais. Amar não aos outros e nem aos olhos e olhares dos outros. Mas amar a que nunca deveríamos ter esquecido.

Estamos aqui, com quem deveríamos estar e com quem precisamos estar. Sentados em uma sacada fria, alta e solitária. Nossos amores e desamores não nos acompanharam. Nossos sofrimentos e alegrias marcaram mas logo, serão esquecidos. Nossos amantes e amados, amaram, machucaram e agora, se despediram. A triste verdade é que, juntos nós estamos e juntos continuaremos. Não eu dela, e nem ela de mim. Juntos, eu e eu. Juntos, ela e ela.

Amar-te. Amar-te. Amar-te. Amar é uma arte. A arte do desapego. A arte do apego. A arte dos opostos. A arte dos idênticos. Amar-te. Amar-te. Amar-te.

Verão de 2012. Europa. Encerrando um ciclo e começando outro. Transferência de informações e também de identidades e personagens. Uma tristeza inata. O suportável convívio consigo mesmo. O que sente agora? O vento que hoje bate em seu gosto, esfria. Esfria o coração. Aquieta a alma. O seu coração. A sua alma. Um coração. Uma alma. A sua. A minha. A dela. Agora vivo. Ela vive. 

Vivemos juntos. Juntos, de nós mesmos.


Por Caique Bittencourt